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PSICOLOGIA – ANSIEDADE E CORRIDA

Controlar a ansiedade pode ajudar atleta a melhorar seu desempenho. Em entrevista, psicólogo William Falcão, que atua na área esportiva, explica como transformar a expectativa em uma forma de motivação antes da corrida.

Colunistas - 24/ago/2020

Controlar a ansiedade pode ajudar atleta a melhorar seu desempenho. Em entrevista, psicólogo William Falcão, que atua na área esportiva, explica como transformar a expectativa em uma forma de motivação antes da corrida.

Vilma em ação na corrida (Foto: Arquivo Pessoal)

Sabe aquele friozinho na barriga que dá só de pensar em uma prova importante que está chegando? E aquele sono que não vem na véspera de uma corrida ou de um treino? Pois é, esse sentimento pode ser descrito como ansiedade e é absolutamente normal que ele apareça em situações que exigem maior atenção e dedicação. Antes de pensar que é algo sempre ruim, já que pode imobilizar, a ansiedade também faz o corredor seguir em frente.

A corredora Vilma Pusinskas, moradora de Santos (SP), falou sobre os momentos que antecediam sua participação na quarta maratona.

– Sempre fica a expectativa: será que os treinos foram suficientes? Mas é so tensão, um pouco de perda de sono, inquietação. Tudo até a véspera da prova. Depois é so alegria – contou.

Vilma já particpou de inúmeras provas de quilometragens variadas, mas, segundo a corredora, por uma competição ser sempre diferente da outra, a sensação de expectativa volta e meia aparece. Mas Vilma disse que a experiência também a ajudou a controlar melhor seu sentimento, principalmente depois de participar de uma prova com percurso de 75km.

– A vontade de correr é tanta, o vício fala mais alto. Tudo isso acaba passando despercebido, e eu me supero concluindo a prova – completou Vilma.

Assim como quase tudo na vida, a questão em pauta é achar o equilíbro, saber ponderar e trabalhar seu sentimento de ansiedade para que ele atue de forma positiva para te impulsionar nos seus objetivos. Opinião compartilhada por William Falcão, psicólogo especialista em estudos na área do esporte, com quem o GLOBOESPORTE.COM falou sobre o tema.

GLOBOESPORTE.COM: Para a Psicologia, o que é o sentimento de ansiedade?

WILLIAM FALCÃO: Ansiedade é uma reposta psicofisiológica a uma situação interpretada como estressante. Muitos fatores que influenciam a ansiedade são únicos para cada indivíduo como, por exemplo: o tipo de situação que a pessoa considera estressante, o quão estressante é aquela situação e como a pessoa lida com a ansiedade.

Devemos entender que ansiedade não é necessariamente ruim. É importante para o indivíduo reconhecer momentos estressantes onde o alto rendimento é necessário, como saber distinguir o ambiente de treino do ambiente de competição. São nesses momentos que atletas encontram a disposição para superar seus limites. Fundamental, no entanto, que o atleta encontre um grau de ansiedade ideal, que ajude a sua performance ao invés de prejuticá-la.

A teoria em psicologia do esporte propõe que a alta performance ocorre num ponto de ansiedade ideal. Esta é conhecida como a teoria do U invertido. Se imaginarmos um gráfico onde a performance começa baixa junto de uma ansiedade baixa, aumenta a medida que a ansiedade aumenta, mas volta a diminuir quando a ansiedade é escessiva, entendemos o porquê desta teoria ser conhecida como teoria do “U” invertido.

Quais são as consequências diretas do excesso de ansiedade?

A ansiedade em excesso tem consequências psicológicas e fisiológicas que podem prejudicar a performance do atleta. No âmbito psicológico, a ansiedade causa dificultade de concentração e origina pensamentos negativos, que por sua vez causam receio, diminuem a motivação e causam mais ansiedade. Quando a ansiedade continua a crescer podemos ter uma crise de ansiedade.

No âmbito fisiológico, a ansiedade gera a liberação de hormônios e neurotransmissores que causam, entre outras consequências, a aceleração da frequência cardiorespiratória. Essas mudanças fisiológicas, quando excessivas, prejudicam a coordenação muscular e o controle de gasto de energia (especialmente importante para corridas de longa distância).

E quais as consequências diretas da falta de ansiedade?
A baixa ansiedade, por outro lado, pode ser caracterizada como um estado psicofisiologico de relaxamente excessivo. Psicologicamente, o indivíduo não está alerta e fisiologicamente seus músculos não estão preparados para desempenhar a atividade.

Você falou que há níveis de ansiedade. Não dá para ficar relaxado demais e nem ansioso demais. Como o corredor pode tentar encontrar o “ponto ideal” de ansiedade? A Teoria do U invertido pode ser aplicada no caso de corredores amadores?

O controle de ansiedade se adquire com experiência. Estar consciente do nível de ansiedade e das consequências do mesmo no seu corpo e mente podem acelerar este processo. Na medida em que se aprende a controlar o nível de ansiedade, o atleta pode também aprender a interpretar a ansiedade como um motivador. Temos inúmeros exemplos de atletas que depois de anos de experiência competindo em nível internacional relatam continuar sentindo “um frio na barriga” antes da competição. Este “frio na barriga” se torna um motivador ou um gatilho que os preparam para superar seus próprios limites. Seu corpo e mente interepretam este estímulo como um alerta para se preparar para a atividade.

Para os corredores amadores, eu diria para se prepararem para sentir algum nível de ansiedade antes da prova. Utilize esta ansiedade para ajudar na concentração e se motivar para a corrida. Uma vez que a prova começar e na medida ele que o corredor venha a avançar quilômetros da prova, a ansiedade irá passar.

Até agora, falamos mais da ansiedade no momento da prova. Mas, e nos dias que a antecedem, como lidar com esse sentimento?

Em termos práticos, eu recomendaria o uso da mentalização ( clique aqui e leia sobre esse tema). O uso da mentalização pode ajudar a controlar a ansiedade pré-competição e preparar o atleta para controlar sua ansiedade a fim de proporcionar-lhe a motivação e alerta para ter o melhor desempenho.

Fonte: GE

Vale a pena refletir se treinou porque se ansiar e, não está tão treinado o que vai perder … eis o jogo mental, a auto-ajuda nesta hora é muito válido…

DIA 27 DE AGOSTO DIA DO PSICÓLOGO.

VEJA MAIS ARTIGOS: Aqui.

Repassando – José Carlos Varela
Professor de Educação Física, Especialista em Treinamento Desportivo e Personalizado. CREF 014099-G/PR.

Treinador Federação Paranaense de Atletismo – FPA
Confederação Brasileira Atletismo – CBAt – IAAF Nível 1- registro n.o 1084
Atleta Corredor Maratonista FPA e CBAt registro nr. 2364
34 MARATONAS e 2 SUPERMARATONAS DE 50 KMS ATÉ novembro de 2017: Aqui
Proprietário da Varela Esportes Assessoria Esportiva (www.varelaesportes.com.br).
CREF 003410-PJ/PR – CONFEF: Aqui

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